Saúde: CAPS reforça atuação na luta contra o suicídio

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    O Caps atende pacientes com depressão severa e persistente, além de casos de esquizofrenia, sociopatia, bipolaridade, psicose e vício em drogas. Atualmente há cerca de 1 mil usuários ativos.

    Com o objetivo de dialogar sobre o suicídio, o Centro de Atenção Psicossocial (Caps II) de Marabá realizará em 14 de junho uma formação com vários líderes religiosos. A reunião acontecerá na sede do centro, localizado na Folha 31, Nova Marabá e foram convidados padres, pastores e representantes de religiões africanas e indígenas.

    O encontro acontece devido ao crescente caso de tentativas de suicídio que aconteceram na cidade.  Hermes Mariano, médico psiquiatra, explica que há três tipos de perfis suicidas mais comuns, “o psicótico, que está quebrado com a realidade. Fora do mundo real e tira a vida em virtudes de delírios e alucinação. Os de quadro de humor como depressão e transtorno bipolar e o dependente químico que costumar tomar a atitude em um ato de impulsividade”.

    Hermes Mariano ressalta que há um mito de que a tentativa de suicídio está diretamente relacionada à depressão ou a algum transtorno mental. “Existem outros fatores, mais comuns, que levam a pessoa a tirar a própria vida. Histórico de falência, doença estigmatizante. Aqui no Caps temos um índice pequeno de pacientes que tentaram suicídio”.

    “É Importante enfatizar alguns comportamentos que podem ser sinal de alerta: Mudança brusca de comportamento, começar a falar muito de coisas que acontecerão quando não estiver mais vivo, começa a fazer uso de substâncias como álcool ou outras drogas”, completa.

    Automutilação

    Outro caso que tem aumentado na cidade é o número de automutilações. Mais frequentes em jovens, sobretudo do sexo feminino. No entanto, Herbert Mariano destaca que normalmente essas pessoas não apresentam algum diagnóstico de depressão ou transtorno de ansiedade específico. “A maioria dos casos são episódios isolados motivados por uma infância difícil e dificuldade de relações com os pais ou na escola. Não é necessário medicamento e os pais acabaram querendo medicar. É raro que a automutilação evolua para o suicídio”, explica.

    No entanto, mesmo quando não se enquadram em um quadro depressivo, quando as mutilações que acontecem frequentemente, é recomendado o tratamento com um psicólogo. “Quando se repetem, esses casos precisam passar com um psicólogo e fazer uma psicoterapia a cada 15 dias, uma semana. Costumam melhorar mais com psicoterapia do que com medicação”, complementa.

    Reinserção na sociedade

    Uma das formas de combater as doenças psicossociais é através de terapia ocupacional. No Caps também são realizados grupos de esporte, dança, artesanato, promoção de renda, etc. Eliete da Conceição Souza, tecnóloga em gestão pública, que trabalha como artesã e redutora de danos no Caps, comenta que “os efeitos nos pacientes em geral são ressocialização, melhora na condição familiar, autonomia em situações particulares. Queremos que os pacientes adquiram autonomia e voltem pra sociedade. Temos dois usuários que passaram pra artes plásticas na UEPA”.

    O Caps atende pacientes com depressão severa e persistente, além de casos de esquizofrenia, sociopatia, bipolaridade, psicose e vício em drogas. Atualmente há cerca de 1 mil usuários ativos. O serviço é aberto para pacientes que residam em Marabá.

    Texto: Osvaldo Henriques

    Foto: Paulo Sérgio

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