Saúde: CAPS II desenvolve projetos de reinserção através da arte, dança e pintura

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    A saúde mental tem sido bem assistida na rede municipal nos últimos dois anos. O Centro de Atenção Psicossocial em Marabá (Caps II), tem mais de 15 mil prontuários e mil usuários ativos participando dos projetos desenvolvidos pelo centro. Dentre as estratégias utilizadas no tratamento dos pacientes que sofrem de transtornos mentais severos e persistentes, estão as terapias por meio da arte, como a dança, pintura, expressão corporal e teatro.

    Adriana Tábata, coordenadora do Caps II, explica que o espaço oferece um serviço aberto e sem agendamento, ou seja, para ser atendida, basta a pessoa procurar a unidade.

    “A pessoa entra aqui no Centro e sempre terá um profissional para escutar. Ela passará por uma avaliação. Caso seja identificada a necessidade de cuidados intensivos ela será atendida até ser reinserida na sociedade”, explica a coordenadora.

    O atendimento no Caps II é garantido por uma equipe multiprofissional e interdisciplinar, que conta com psicólogo, psiquiatra, terapeuta ocupacional, assistente social, farmacêutico, enfermeiros especialistas, médicos, técnicos em enfermagem e outros. As atividades são também extramuro, por isso, é rotina dos profissionais visitas a domicílio, ou nos lugares onde o paciente frequenta.

    É importante lembrar também, que além de vítimas de transtornos como esquizofrenia e bipolaridade, por exemplo, o Caps oferece tratamento para pessoas que tem o sofrimento relacionado à substâncias psicoativas (álcool e drogas). Para esse público, o centro desenvolve há dois anos, um projeto de nome “Papo Reto”, como forma de redução de danos.

    O Papo Reto atualmente atende um grupo de 30 pessoas, mas quando iniciou havia apenas 10. O projeto funciona todas as quartas-feiras, às 9 horas, com uma equipe multidisciplinar à disposição. Vale a pena ressaltar que existe uma modalidade do Caps específica para trabalhar o projeto, que é o Caps de Álcool e Drogas, mas ainda assim, Marabá executa o projeto, devido a demanda que o centro tem atendido no município.

    Segundo Adriana, o projeto virou referência nacional sendo apresentado em outros lugares, como Belém e Rondônia. Em junho, a coordenadora estará num congresso internacional de políticas de drogas, apresentando novamente o projeto.

    “As pessoas estão constantemente fazendo redução de danos conosco, mesmo tendo recaída eles retornam. Ele é aberto, não precisa ser paciente do Caps e se você quiser trazer um parente, amigo, alguém que tem esse problema em casa, não precisa ter um prontuário para ser escutado, acolhido e cuidado. Esse projeto tem dado certo por conta dessa liberdade de ir e vir, isso tem atraído várias pessoas pra conhecer o trabalho”, enfatiza Adriana.

    José de Ribamar, de 54 anos, foi até o CAPS em busca de apoio para se recuperar do alcoolismo e através do “Papo reto” e atividades desenvolvidas lá, encontrou novamente confiança para reconstruir sua vida. “O Caps foi a solução da minha vida. Eu estava perdido, no fundo do poco. Quando cheguei lá fui bem recebido e bem tratado. Daquela porta pra dentro me sinto em outra família. Não foram só os medicamentos, mas também as palestras e os serviços que a gente faz. Coisas que nunca pensei encontrar, encontrei na minha vida. Eu estava desacreditado e hoje eu tenho confiança na família e na sociedade. Quem não conhece é bom procurar saber que existe uma solução para quem vive mal. Isso foi o que eu aprendi lá dentro e continuo aprendendo”, revela.

    Serviço
    Local: O Caps II está localizado na Folha 31, Nova Marabá
    Funcionamento: De segunda a sexta-feira
    Horário: Das 07h às 18h

     

    Texto: Leydiane Silva
    Fotos: Paulo Sérgio

     

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